Advogados devem recorrer à Corregedoria da polícia para questionar métodos da investigação do caso
A irmã de Alexandre deverá falar à polícia sobre o telefonema que recebeu do pai, na noite da morte de Isabella. Dois funcionários de uma casa noturna teriam procurado a polícia para dizer que Cristiane recebeu um telefonema naquele dia e, antes de sair chorando do estabelecimento, teria dito algo como “meu irmão fez uma besteira”. A jovem nega que tenha dito qualquer frase que possa comprometer o irmão.
Métodos de investigação
“A defesa constatou irregularidades no curso da investigação, como a utilização de laudos a que ninguém teve acesso”, diz o advogado Rogério Neres de Sousa. “No depoimento do casal, foi feita a menção a informações que não constam do inquérito, o que, na nossa visão, são provas inexistentes.”
O advogado cita a informação de que haveria sangue de Isabella no Ford Ka do casal. “Alexandre e Anna Carolina foram inquiridos sobre o sangue no carro, que os policiais disseram ser com certeza de Isabella. Mas nunca vimos esses laudos. E, pelo que ficamos sabendo pela imprensa, o laudo pericial não aponta que o sangue seja de Isabella. Ou seja, a polícia está usando provas que simplesmente não existem.”
O laudo do Instituto de Criminalística (IC) apontou vestígios de sangue na parte traseira do encosto do banco do motorista, no assoalho do carro e na cadeirinha de bebê. Mas a quantidade de material achado não permitiu a realização do exame de DNA, que determinaria se o sangue era ou não de Isabella.
Na sexta feira, logo após o interrogatório, o casal foi indiciado por homicídio doloso triplamente qualificado: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Assim, Alexandre e Anna Carolina passaram da condição de averiguados à de suspeitos no inquérito – o termo indica que a polícia descarta a hipótese de envolvimento de outras pessoas no crime. A defesa, no entanto, continua afirmando que haveria uma terceira pessoa na cena do crime.
“É preciso ampliar a investigação”, diz Rogério Neres de Sousa. Os advogados pretendem provar duas teses: a de que a segurança do prédio era precária, e qualquer um poderia ter entrado no dia do crime; e a de que a família vivia harmoniosamente, sendo que Isabella e a madrasta eram muito próximas. “Temos uma testemunha que assumiu ter entrado diversas vezes no edifício por uma porta lateral sem nunca se identificar. Por que a polícia não leva isso em conta?”
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