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‘Petrolíferas estão por trás de pressão contra etanol’, diz Lula

Maio 16, 2008 · 1 Comentário

Em Lima, presidente afirma que debate sobre biocombustíveis será ‘longo e duradouro’

Com um discurso em defesa do etanol, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as indústrias petrolíferas estão por trás da crise que coloca os biocombustíveis como vilões da recente crise de inflação dos alimentos. “Há uma disputa comercial no mundo. Obviamente as petroleiras estão por trás disso, obviamente que os países não querem mudar suas matrizes (tecnológicas)”, afirmou Lula na noite da última quinta-feira em sua chegada a Lima, onde participará da 5ª Cúpula de Chefes de Estado da América Latina, Caribe e União Européia.


Lula disse que o debate em torno dos biocombustíveis “está só começando”. “Nós precisamos estar preparados porque vem um debate longo e duradouro”, ponderou. O presidente brasileiro chega a Lima para protagonizar um dos pontos que prometem ser o alvo de polêmicas durante o encontro dos chefes de Estado.

De um lado, encontrará líderes latino-americanos preocupados com a produção de etanol à base de alimentos, leia-se Evo Morales (Bolívia), Alan Garcia (Peru) e os mandatários centro-americanos, e os europeus, que não estão convencidos que a revolução energética defendida por Lula seja o caminho para a produção da chamada “energia limpa”.

Contradição

Para Lula a polêmica é “compreensível” e “contraditória”. “Como o tema é novo eu compreendo que as pessoas recusem. É muito difícil as pessoas aceitarem mudanças”, disse.

“Mas acho muito engraçado porque as pessoas querem despoluir o planeta, desaquecer o planeta, assinar o protocolo de Kyoto e quando o Brasil oferece um combustível que não emite CO2 eles preferem utilizar um combustível que emite CO2, então há uma contradição”, afirmou.

Lula criticou os ataques aos biocombustíveis como responsáveis pelo aumento dos preços agrícolas e responsabilizou o aumento dos preços do petróleo pela crise.

“As pessoas não querem discutir quanto tempo a Europa pagou para seus produtores não produzirem, as pessoas não querem discutir quanto implica um barril de petróleo a US$ 124 no preço do frete e dos fertilizantes”, afirmou.

Para o presidente brasileiro, outro fator que implica a suposta escassez de alimentos é que “os pobres estão comendo mais”.

“O povo pobre está comendo mais e eu quero que eles continuem comendo mais o que vai exigir que nós produzamos mais comida para eles comerem mais”, disse Lula.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) o problema em torno da crise alimentar não está relacionado à escassez de comida e sim à falta de poder aquisitivo para comprar os alimentos.

Debate

Lula disse que proporá a seus colegas mandatários um amplo debate, “sem ideologia e emoção, mas com muita razão”.

Questionado sobre as possíveis tensões que poderão haver entre os mandatários que participam da Cúpula, em alusão ao atrito entre Hugo Chávez e a chanceler alemã Angela Merkel e com o mandatário colombiano Álvaro Uribe, Lula saiu em defesa da democracia.

“É verdade que pode ter uma ou outra tensão, mas temos democracia na região como nunca tivemos em outro momento histórico. Hoje com exceção das Farc, não tem grupo armado, não tem guerrilha, não tem terrorismo e temos países construindo democracia, isso é o que interessa.”

Melhor que Evo

Ao saber que o presidente da Bolívia Evo Morales havia participado de um jogo de futebol realizado em Lima com jogadores da década de 70, Lula brincou e disse que não participou da partida por acreditar que está em melhor forma física que seu colega boliviano.

“Não quero jogar com o Evo porque tenho a impressão que estou com melhor preparo físico que ele, não posso”, brincou.

Morales chegou à capital peruana na tarde desta quinta-feira e sua primeira atividade “oficial” foi uma partida de futebol com jogadores peruanos da seleção de 70.

A partida foi organizada pela Cúpula dos Povos, encontro paralelo realizado por movimentos sociais que são contra as políticas de abertura econômica aplicadas pelos governos da América Latina e União Européia.

Com estádio lotado, Evo Morales jogou 30 minutos, marcou um gol de pênalti e voltou a criticar o veto da FIFA a jogos em locais de altitude maior.

“Isso é um apartheid, uma atitude que discrimina a Bolívia”, afirmou.

A organização vetou a realização de partidas internacionais de futebol em estádios com altitude superior a 2.750 metros. A altitude média na Bolívia é de 3.600 a 3.800 metros e sob essas regras o país fica fora de disputas internacionais como o campeonato Libertadores da América.

Sobre o acordo de livre comércio que a Comunidade Andina de Nações (CAN) pretende estabelecer com a União Européia, Morales foi crítico e sugeriu como condição a livre circulação de pessoas entre os continentes.

“No meu país não tem sido uma solução política o livre comércio. Nos falam de livre comércio para produtos e serviços, mas não há livre circulação do ser humano. Porque não para o ser humano e simplesmente para o negócio”, questionou Morales em conferência de imprensa na noite desta quinta-feira.

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Demissão da Ministra do Meio Ambiente Marina Silva

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  • Dalton Francisco dos Santos // Junho 29, 2008 às 1:39 pm

    O preço do barril de petróleo continua disparado e os salários congelados!
    • Agora chega o momento da escassez das reservas descobertas há mais de 30 anos atrás. A Arábia Saudita não é mais capaz de atender a crescente demanda mundial por petróleo. O petróleo é uma matéria-prima não-renovável e que, por isso, acaba. A crise agora é causada pelo aumento da demanda e falta de estoques.

    • Hoje, o preço do barril de petróleo já começou a fuga da casa do valor equivalente a 140 dólares atuais.

    • A Petrobras, por exemplo, já ocupa a terceira posição em valor do mercado financeiro. A Petrobras fechou o primeiro trimestre de 2008 com um lucro líquido de 69% acima do lucro de igual período de 2007. O maior resultado para o período na história da empresa, superando as previsões do mercado financeiro.

    Das vezes anteriores, o preço do barril de petróleo subia tanto por motivos econômicos, como demanda acima da capacidade produtiva ou até mesmo por razões políticas, como conflitos nos países membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Na verdade, a alta do preço do barril de petróleo sempre teve sua origem num misto de crise político-econômica. Agora chega o momento da escassez das reservas descobertas há mais de 30 anos atrás. A Arábia Saudita não é mais capaz de atender a crescente demanda mundial por petróleo. O petróleo é uma matéria-prima não-renovável e que, por isso, acaba. A crise agora é causada pelo aumento da demanda e falta de estoques.

    Quando ainda era abundante, o preço do barril de petróleo atinge um valor equivalente a 40 dólares nos dias atuais, na primeira crise do petróleo, em 1973. Essa crise começa quando o barril passa de 2,90 dólares para 11,65 dólares, no inicio dos anos 70. A crise atinge o seu ápice em 79, com a completa paralisação da produção iraniana, por causa da revolução islâmica, chamada de segundo grande choque do petróleo, elevando o preço do barril de petróleo ao equivalente a 80 dólares atuais. A partir de 86 é que o preço do barril de petróleo fica abaixo do valor equivalente a 40 dólares nos dias atuais, permanecendo assim por mais de duas décadas.

    Hoje, o preço do barril de petróleo já começou a fuga da casa do valor equivalente a 140 dólares atuais.

    Aqui no Brasil, cabe aos trabalhadores petroleiros garantir a produção de petróleo no Brasil de 1,81 milhão de barris diários, um crescimento de apenas 1% em relação ao 1,8 milhão de barris do mesmo trimestre de 2007. Já a produção de gás natural foi garantida o aumento de 11%, de 274 mil barris equivalentes por dia para 304 mil. Nunca a Petrobras valeu tanto. E os trabalhadores petroleiros - valem quanto pesam?

    Agora, confira a lista das dez maiores empresas das Américas:
    1. Exxon Mobil - US$ 489,640 bilhões
    2. General Electric - US$ 320,253 bilhões
    3. Petrobras - US$ 287,171 bilhões
    4. Microsoft Corp - US$ 279.306 bilhões
    5. AT&T Telecomunicações - US$ 238.056 bilhões
    6. Wal Mart Stores - US$ 225.562 bilhões
    7. Chevron Texaco - US$ 207.625 bilhões
    8. Procter & Gamble - US$ 203.787 bilhões
    9. Vale R Doce - US$ 196.495 bilhões
    10. Berkshire Hathaway - US$ 189.580 bilhões

    A província geológica do pré-sal pode garantir as maiores descobertas de reservas de petróleo feitas nos últimos 30 anos. Além da irreversibilidade do aumento do preço do barril de petróleo, serão novos campos de petróleo que irão gerar ainda mais impactos positivos no enchimento dos cofres das transnacionais petroleiras. Somente o campo de Tupi, na bacia de Santos, é capaz de ampliar em 60% as reservas de petróleo das transnacionais do setor petrolífero. Então, a descoberta de novos campos de petróleo sob o pré-sal e a disparada do preço do barril de petróleo ajuda o fortalecimento dos lucros bilionários dessas transnacionais.

    No Brasil, todo o petróleo exportado, assim como os derivados como nafta, óleo combustível e querosene de aviação, acompanharam o preço internacional e beneficiaram mais ainda os resultados lucrativos e bilionários da Petrobras e de outras transnacionais do ramo que operam nas atividades de abastecimento.

    E vai ter mais. No Brasil onde a gasolina vendida é uma das mais caras do mundo vai ter aumento de preço nas bombas. E o diesel e o gás também terão seus preços aumentados. Da mesma forma o etanol e o biodiesel. Frete e fertilizantes terão o mesmo destino.

    O efeito cascata que elevarão os preços dos demais produtos necessários consumidos (arroz, feijão, etc) leva o índice da inflação as alturas que morde e come enorme parcela dos salários dos trabalhadores. Dados que constituem cálculos das Nações Unidas mostram que já morre de fome uma criança a cada cinco segundos, no mundo.

    No final das contas ainda é somada a extremada redução de custos de mão-de-obra, via salários extremamente rebaixados, tanto do efetivo próprio como terceirizado (o mais gordo bilhete premiado). As condições econômicas dos trabalhadores ficam cada vez piores. A também extremada redução de custos operacionais que tem assassinado trabalhadores nas áreas do setor petróleo é adicionada a esses lucros bilionários das transnacionais petroleiras.

    A Petrobras, por exemplo, já ocupa a terceira posição em valor do mercado financeiro. A Petrobras fechou o primeiro trimestre de 2008 com um lucro líquido de 69% acima do lucro de igual período de 2007. O maior resultado para o período na história da empresa, superando as previsões do mercado financeiro.

    Nada mudou. Os países capitalistas imperialista, que durante séculos acumularam riquezas à custa da exploração predatória de suas colônias, agora criam corporações monopolísticas de transnacionais de energia (fóssil, hidro e bio) para continuarem saqueando. A tão badalada auto-suficiência não chega à mesa do povo brasileiro. O problema não é a falta de alimentos. O que falta aos trabalhadores e ao povo brasileiro também é grana para poder comprar grãos. Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) mostram que o mundo produz comida para alimentar 12 bilhões de pessoas, o dobro da população do planeta. Este ano, só aqui, no Brasil, a previsão é de uma safra de 139,3 milhões de toneladas de grãos.

    Conclusivamente, caso não haja fortes mobilizações de todos os trabalhadores e povos do mundo inteiro no sentido da luta para derrotar o capitalismo imperialista e da ampliação da revolução socialista essa situação não muda e vai piorar.

    O que está em jogo é a sobrevivência ou o sumiço precoce da espécie humana no planeta terra.

    Dalton Francisco dos Santos - de Alagoas e Sergipe

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